Depenando a Coruja
Por Oliveirinha – Jornalista – MTE 08182/PR
Maninho retorna à Câmara quatro anos após perder mandato em situação semelhante.
Vereador deixou o Legislativo após anulação de votos em 2022 e agora reassume cadeira depois de uma nova retotalização.
Uma situação incomum na política de Foz do Iguaçu marcou o retorno de Valdir de Souza, o Maninho (PSDB), à Câmara Municipal. Quatro anos depois de perder o mandato por causa de uma recontagem dos votos provocada por fraude à cota de gênero, o vereador voltou ao Legislativo após uma nova recontagem, também motivada pelo mesmo tipo de irregularidade eleitoral.
A diferença é que, desta vez, a decisão beneficiou Maninho.
Na sexta-feira (11), a Justiça Eleitoral refez a distribuição das cadeiras das eleições municipais de 2024 depois da anulação dos votos das chapas do Partido da Mulher Brasileira (PMB) e do Agir. As decisões judiciais reconheceram fraude à cota de gênero nas duas legendas.
Com a retirada desses votos do cálculo, houve uma nova distribuição das 15 vagas da Câmara. Maninho, que havia recebido 1.898 votos pela Federação PSDB/Cidadania e estava como suplente, passou a figurar entre os eleitos.

A mudança retirou da Câmara Marcos Adriano Ferreira Fruet, o Soldado Fruet (PL). O diploma dele foi cancelado e Maninho foi diplomado e tomou posse ainda na sexta-feira.
Quatro anos antes, situação foi inversa
O episódio chama atenção porque uma situação semelhante ocorreu com o próprio Maninho em 2022, mas com resultado contrário.
Ele havia sido eleito vereador em 2020 pelo PSC, com 1.301 votos. Naquele processo eleitoral, a Justiça reconheceu fraude no cumprimento da cota destinada às candidaturas femininas do partido.
A decisão atingiu toda a chapa proporcional do PSC. Os votos recebidos pelo partido e pelos candidatos foram anulados e uma nova totalização precisou ser realizada.
Como consequência, Maninho perdeu a cadeira que ocupava desde janeiro de 2021. A Câmara registra que a saída ocorreu em novembro de 2022, após a extinção do mandato determinada pela Justiça Eleitoral.
Na época, Maninho afirmava que considerava a decisão injusta e argumentava que a responsabilidade pela formação e pelo registro da chapa era do partido.
Com a retirada dos votos do PSC e a redistribuição das vagas, Márcio Rosa assumiu uma cadeira no Legislativo.
Agora, recontagem colocou Maninho de volta
Nas eleições de 2024, Maninho concorreu novamente, desta vez pela Federação PSDB/Cidadania. Ele recebeu 1.898 votos, mas o resultado inicial não foi suficiente para garantir uma das 15 cadeiras.
O cenário mudou após os processos envolvendo PMB e Agir.
Com as decisões que invalidaram os votos das duas chapas por fraude à cota de gênero, a Justiça Eleitoral precisou recalcular os quocientes e a distribuição das vagas.
Foi justamente esse novo cálculo que colocou Maninho novamente entre os vereadores eleitos.
Assim, o mecanismo eleitoral que contribuiu para sua saída da Câmara em 2022 acabou, quatro anos depois, abrindo o caminho para seu retorno.
Maninho chega ao quinto mandato
O retorno também amplia uma longa trajetória de Maninho no Legislativo iguaçuense.
Antes da eleição de 2020, ele já havia exercido três mandatos consecutivos, entre 2001 e 2012. Ele voltou à Câmara em 2021, mas teve o quarto mandato interrompido pela decisão da Justiça Eleitoral em 2022.
Agora, com a posse decorrente da retotalização das eleições de 2024, inicia uma nova passagem pela Câmara Municipal.
Ao assumir a cadeira na sexta-feira, Maninho afirmou que retorna com experiência no Legislativo e que pretende apoiar projetos considerados importantes para o município.

A nova composição já está valendo. Maninho ocupa a cadeira anteriormente destinada a Soldado Fruet, enquanto Fruet passa à condição de suplente do PL (PC).
Empresa planeja viabilizar um cruzeiro de luxo entre as Três Fronteiras e Posadas, na Argentina

Boat Show Foz do Iguaçu, a primeira do Brasil em águas doces, terá quatro dias de exposição com a expectativa de reunir 15 mil visitantes
Novo circuito turístico deve conectar os rios Paraná e Iguaçu a Posadas, na Argentina, ampliando as opções de turismo fluvial na região.
Um novo circuito de turismo fluvial de luxo está sendo projetado para conectar a região da Tríplice Fronteira a Posadas, na Argentina. A proposta prevê a operação de uma embarcação a partir do ponto onde os rios Paraná e Iguaçu se encontram, criando uma nova alternativa de passeio turístico pela região.
Segundo informações divulgadas pelo Diário La Clave, a embarcação prevista para o projeto seguirá o mesmo modelo utilizado atualmente em cruzeiros pelo rio Paraná. A iniciativa busca integrar diferentes destinos turísticos da região por meio de um trajeto fluvial.
O projeto deve ampliar a oferta de experiências turísticas entre Paraguai, Brasil e Argentina, aproveitando a localização estratégica da Tríplice Fronteira e os atrativos naturais existentes ao longo do rio.
A proposta ainda está em fase de planejamento, e detalhes sobre o início das operações, itinerário definitivo e frequência dos passeios deverão ser definidos posteriormente (DF).

“Valei–me Santo Expedito”!
Saúde pública de Foz será debatida em painel aberto à comunidade
Encontro do Observatório Social será nesta terça-feira, 15, às 19h, na ACIFI; representantes de instituições ligadas à saúde foram convidados para discutir desafios e serviços oferecidos à população.
O Observatório Social do Brasil em Foz do Iguaçu (OSB-FI) realiza, nesta terça-feira, 15, às 19h, mais uma edição do Encontro de Voluntários. Aberto à comunidade, o evento será realizado na sede da ACIFI, na região central, e terá como destaque um painel sobre a saúde pública do município.
Durante o encontro, os voluntários apresentarão o 2.º Relatório Quadrimestral do Observatório, com as principais ações realizadas no período, os resultados alcançados e os pontos que permanecem em acompanhamento. O documento reúne indicadores relacionados à aplicação de recursos e à prestação de serviços públicos municipais.
O painel sobre saúde reunirá representantes de instituições ligadas à área e ao acompanhamento das políticas públicas. Foram convidados integrantes da Secretaria Municipal de Saúde, do Conselho Municipal de Saúde (Comus) e da 9.ª Regional de Saúde.
Saúde pública
Também são esperados representantes de instituições de ensino que desenvolvem atividades e pesquisas relacionadas à saúde, como a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste/Foz), o Centro Universitário Cataratas (UDC) e o Centro Universitário Descomplica UniAmérica.
“A intenção é ampliar o debate e a visão sobre os desafios na saúde pública e estimular a participação da sociedade no acompanhamento dos serviços oferecidos à população”, explica o presidente do Observatório, Haralan Mucelini.
“Para contribuir com soluções, precisamos recorrer aos dados e indicadores e reunir todos os atores à mesa. Essa é a finalidade do painel”, completa.
Prestação de contas
Além do debate sobre saúde, o encontro terá a apresentação do 2.º Relatório Quadrimestral do Observatório Social. O documento abrange as ações desenvolvidas pela entidade ao longo de quatro meses e reúne os resultados obtidos e os pontos que continuam sendo monitorados pelos voluntários.
A apresentação também busca mostrar à comunidade o trabalho desenvolvido pelo Observatório no acompanhamento da gestão pública. A entidade atua com a participação de voluntários e realiza o monitoramento de indicadores relacionados à administração municipal.
Voluntariado
O Encontro de Voluntários é realizado periodicamente pelo Observatório Social em Foz do Iguaçu. A atividade busca dar transparência às ações da entidade, integrar os voluntários e apresentar oportunidades para quem deseja participar do controle social.
Para atuar como voluntário, não é exigida formação ou experiência prévia. A entidade oferece suporte e metodologia para a realização das atividades.
Não podem participar pessoas ligadas a partidos políticos ou envolvidas em atividades de cunho político-partidário e eleitoral.
Encontro de Voluntários do Observatório Social
Data: 15 de setembro
Horário: 19h
Local: ACIFI — Rua Padre Montoya, 490, Centro
Destaque: painel sobre saúde pública de Foz do Iguaçu (HF).
Curi quer transformar Paraná em polo de tecnologia e inovação para o agronegócio
Programa eleitoral desta segunda-feira destacou biotecnologia, inteligência artificial e startups; candidato defendeu aproximação entre universidades, cooperativas e produtores Transformar a força do agronegócio paranaense em uma plataforma para desenvolver novas tecnologias foi o principal tema do programa eleitoral de Alexandre Curi (Republicanos) ao Senado exibido nesta segunda-feira (14). A propaganda apresentou propostas para aproximar produtores, […]
Programa eleitoral desta segunda-feira destacou biotecnologia, inteligência artificial e startups; candidato defendeu aproximação entre universidades, cooperativas e produtores.
Transformar a força do agronegócio paranaense em uma plataforma para desenvolver novas tecnologias foi o principal tema do programa eleitoral de Alexandre Curi (Republicanos) ao Senado exibido nesta segunda-feira (14).
A propaganda apresentou propostas para aproximar produtores, cooperativas, universidades e startups e ampliar investimentos em inovação no campo. “O Paraná já é o supermercado do mundo, agora pode ser o laboratório do agro do futuro”, destacou o programa ao apresentar a participação do Estado na produção de grãos, carnes, leite e pescado e a força das cooperativas paranaenses.
A proposta apresentada por Curi é aproveitar essa estrutura produtiva para avançar também na indústria de alimentos, biotecnologia e desenvolvimento de soluções voltadas ao campo. “Se somos o supermercado do mundo, podemos também criar aqui a tecnologia que vai alimentar o mundo no futuro”, afirmou o candidato.
Inteligência artificial e tecnologia no campo
O programa mostrou exemplos de tecnologias que já começam a transformar a produção rural, como sistemas inteligentes de irrigação, sensores para redução do consumo de água, mapeamento de propriedades, robótica e inteligência artificial aplicada às decisões sobre plantio, colheita e proteção das lavouras.
Curi defendeu que parte dessas soluções seja desenvolvida dentro do próprio Paraná. “Quero aproximar startups, universidades, cooperativas e produtores e buscar recursos para transformar boas ideias em soluções para o campo”, disse.
A proposta está alinhada ao plano de mandato apresentado pelo candidato, que prevê apoio à inovação no agronegócio e às cadeias produtivas paranaenses, além de medidas voltadas ao cooperativismo, agricultura familiar, infraestrutura e novas fontes de energia ligadas à produção rural.
A intenção, segundo a campanha, é agregar valor ao que o Paraná já produz e criar novas oportunidades econômicas relacionadas à pesquisa, tecnologia e industrialização de alimentos.
Infraestrutura e apoio à produção
A propaganda também recuperou a atuação de Curi na Assembleia Legislativa e citou sua participação na aprovação de medidas de incentivo à agroindústria. O candidato defendeu ainda investimentos em estradas rurais, infraestrutura e agricultura familiar.
A infraestrutura aparece como uma das condições para ampliar a competitividade do setor, principalmente no transporte da produção entre propriedades, cooperativas, indústrias e mercados consumidores.
“Alexandre Curi já trabalha para fortalecer quem produz”, afirmou o programa, ao relacionar as iniciativas à geração de renda e oportunidades no interior.
O fortalecimento do cooperativismo também ocupa espaço no plano de mandato de Curi. Entre as propostas está a defesa das particularidades tributárias das cooperativas na regulamentação da reforma tributária e a busca por maior segurança jurídica para o setor.
“Menos distância, mais inovação no campo”
O programa contou ainda com uma participação de Rafael Greca, candidato a vice-governador, que destacou a relação política construída com Curi durante suas gestões à frente da Prefeitura de Curitiba. “Alexandre Curi é um curitibinha que eu vi crescer. Foi um grande parceiro da minha prefeitura e será um grande senador para todo o Paraná”, declarou Greca.
No encerramento, a campanha retomou o conceito “Menos Brasília, Mais Paraná”, desta vez associado à inovação no agronegócio. A mensagem foi sintetizada pela frase “Menos distância, mais inovação no campo”.

Curi encerrou defendendo que o Paraná avance de grande produtor de alimentos para também se tornar um centro de desenvolvimento das tecnologias utilizadas na produção. “Quero aproximar startups, universidades, cooperativas e produtores e buscar recursos para transformar boas ideias em soluções para o campo. Se somos o supermercado do mundo, podemos também criar aqui a tecnologia que vai alimentar o mundo no futuro.”
Crise no STF explode, Moraes enfrenta protestos, investigação da OAB e pressão dos EUA
A semana foi marcada pela escalada da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes. A combinação de protestos nacionais, embates internos na Corte, investigações relacionadas ao caso Banco Master, repercussão internacional e até a possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos colocou o Supremo no centro do debate político brasileiro.
Entre os fatos que mais geraram repercussão e engajamento ao longo da semana estiveram os atos de rua pelo impeachment de Moraes, a abertura de procedimento da OAB-DF contra o escritório da esposa do ministro, a publicação de um manifesto cobrando apuração das denúncias no STF, a atuação de Edson Fachin para conter a crise institucional, a reportagem da revista britânica The Economist e a revelação de que a administração do presidente Donald Trump monitora os acontecimentos no Brasil.
Protestos nacionais pressionam Moraes
O episódio de maior visibilidade popular ocorreu no feriado de 7 de Setembro, quando grupos de direita realizaram manifestações em pelo menos 15 cidades brasileiras. Os protestos tiveram como principal pauta o impeachment de Alexandre de Moraes, além de críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoio ao ministro André Mendonça.
Lideranças como Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e Sergio Moro participaram dos atos, que reuniram milhares de manifestantes em capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro.
OAB abre procedimento contra escritório ligado à família Moraes
Outro fato de grande repercussão foi a decisão da OAB-DF de instaurar procedimento ético-disciplinar contra o escritório administrado por Moraes, esposa do ministro do STF. A apuração tem como base relatórios da Polícia Federal que apontaram contratos milionários com empresas vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro, personagem central das investigações sobre o Banco Master.
A medida ampliou a pressão sobre Moraes e trouxe o debate para além do ambiente político, alcançando também entidades do meio jurídico. O escritório negou irregularidades e afirmou que os fatos já haviam sido analisados anteriormente por autoridades competentes.
Empresários e personalidades cobram investigação das denúncias
A crise também avançou para a sociedade civil. Empresários, juristas, intelectuais e outras personalidades passaram a defender publicamente a apuração das denúncias relacionadas ao STF e ao caso Banco Master. O movimento ganhou força à medida que novos documentos e relatos vieram à tona, aumentando a pressão por transparência e esclarecimentos institucionais.
O manifesto reforçou a percepção de que a crise deixou de ser apenas uma disputa entre ministros e passou a envolver diferentes setores da sociedade preocupados com os impactos sobre a credibilidade das instituições.
Embate entre Mendonça, PF, Moraes e Dino eleva tensão institucional
Nos bastidores, o conflito entre o ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal transformou-se em uma das principais crises institucionais do ano. O magistrado determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sob alegação de irregularidades relacionadas à produção de relatórios de inteligência.
A situação se agravou quando o ministro Flávio Dino determinou a recondução do diretor ao cargo. Diante do conflito entre decisões judiciais dentro da própria Corte, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu ambas as determinações e assumiu a centralização do caso.
Fachin assume protagonismo no Supremo
Em meio ao agravamento da crise, Edson Fachin passou a desempenhar papel decisivo na tentativa de restaurar a estabilidade institucional. Além de intervir no impasse envolvendo a Polícia Federal, o presidente do STF assumiu os novos desdobramentos do chamado Inquérito das Fake News, antes conduzidos por Alexandre de Moraes.
A mudança foi interpretada como um esforço para reduzir a tensão interna e responder às crescentes críticas dirigidas ao inquérito, que se tornou um dos temas centrais da crise enfrentada pelo Supremo.
The Economist leva a crise brasileira ao cenário internacional
A repercussão internacional ganhou força após reportagem da revista britânica The Economist, uma das publicações mais influentes do mundo. O texto afirmou que o escândalo envolvendo Alexandre de Moraes, o caso Banco Master e a crise interna do STF representam uma ameaça à confiança dos brasileiros na democracia.
A revista destacou as revelações sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, criticou aspectos do Inquérito das Fake News e avaliou que a atual situação está corroendo a credibilidade das instituições responsáveis por preservar o Estado Democrático de Direito.
Governo Trump monitora crise e avalia novas sanções
O tema ganhou uma dimensão ainda maior após reportagem da Folha de S. Paulo revelar que o governo do presidente Donald Trump acompanha os desdobramentos da crise no STF e considera a adoção de novas sanções contra Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, medidas já estariam preparadas e aguardariam definições políticas em Washington.
A possibilidade inclui uma nova utilização da chamada Lei Magnitsky, mecanismo usado pelos Estados Unidos para impor restrições financeiras e patrimoniais. A decisão final, entretanto, dependeria diretamente de Trump e da avaliação do impacto político das medidas sobre o cenário eleitoral brasileiro.
A semana que mudou o centro do debate político
A sucessão de acontecimentos transformou o STF no principal foco do debate nacional. O que começou como uma investigação envolvendo o Banco Master evoluiu para uma crise institucional com desdobramentos políticos, jurídicos e internacionais. Enquanto Alexandre de Moraes enfrenta questionamentos crescentes, André Mendonça e Edson Fachin assumem papéis centrais na condução dos próximos capítulos de uma crise que pode influenciar não apenas o futuro da Corte, mas também o ambiente político brasileiro às vésperas das eleições.
Corujas serão depenadas neste ano eleitoral em Foz.
